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ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 5 MINUTOS

Cirurgia robótica no tratamento do câncer: Benefícios e cobertura

A cirurgia robótica revoluciona o tratamento do câncer. Saiba seus benefícios e como reverter negativas abusivas dos planos de saúde, mesmo sem previsão no rol da ANS.
Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Resumo do artigo

A cirurgia robótica é uma inovação médica que oferece maior precisão e recuperação mais rápida em tratamentos de câncer, mas sua cobertura por planos de saúde gera debates. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não inclui a cirurgia robótica como obrigatória em seu rol de procedimentos, mas decisões judiciais frequentemente determinam que planos de saúde custeiem o procedimento quando há recomendação médica fundamentada. A jurisprudência brasileira tende a considerar abusiva a negativa de cobertura baseada apenas na ausência do procedimento no rol da ANS, destacando o direito à saúde e à dignidade humana.

A evolução da medicina em favor do paciente

A cirurgia robótica é uma das inovações mais marcantes da medicina moderna. Utilizando sistemas altamente avançados, como o robô Da Vinci, essa tecnologia permite que procedimentos sejam realizados com uma precisão antes inimaginável.

Quando aplicada ao tratamento de câncer, seus benefícios são amplos, abrangendo desde menor tempo de recuperação até resultados cirúrgicos mais eficazes. Contudo, há um aspecto que frequentemente gera dúvidas e preocupação: a cobertura pelos planos de saúde. Afinal, é obrigatório que os convênios custeiem essa modalidade?

A superioridade da cirurgia robótica no tratamento do câncer

Para pacientes com câncer, a cirurgia robótica representa uma esperança de tratamentos menos invasivos e mais precisos. Entre seus principais benefícios destacam-se:

  • Maior precisão cirúrgica: O sistema robótico permite movimentos extremamente delicados e controlados, reduzindo o risco de danos a tecidos saudáveis. Isso é particularmente relevante em casos como câncer de próstata, colo do útero e rins.
  • Menor dor e recuperação mais rápida: Por ser minimamente invasiva, a cirurgia robótica resulta em menos dor no pós-operatório, menor risco de infecções e uma recuperação significativamente mais curta em comparação às cirurgias convencionais.
  • Resultados aprimorados: Em muitos casos, a técnica robótica está associada a menores taxas de complicações e melhores resultados oncológicos, incluindo margens cirúrgicas mais limpas e maior preservação funcional.

Esses benefícios, somados à redução de internações prolongadas, tornam a cirurgia robótica uma escolha preferencial tanto para médicos quanto para pacientes.

Planos de saúde são obrigados a cobrir a cirurgia robótica?

A inclusão de tratamentos de alta tecnologia, como a cirurgia robótica, nos planos de saúde gera frequentes debates judiciais e administrativos no Brasil. A obrigatoriedade de cobertura está diretamente relacionada a algumas questões centrais:

  • Rol de procedimentos da ANS: A ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar regula quais procedimentos os planos de saúde devem obrigatoriamente oferecer. Atualmente, a cirurgia robótica ainda não está especificada como um procedimento obrigatório no rol, mas os tribunais frequentemente têm decidido que, em casos de recomendação médica fundamentada, o plano deve custeá-la.
  • Princípios do CDC: A relação entre os usuários e os planos de saúde é regida também pelo CDC, que proíbe práticas abusivas e garante ao consumidor tratamentos adequados às suas necessidades. Se a cirurgia robótica for a melhor opção para o paciente, a negativa pode ser interpretada como abusiva.
  • Jurisprudência favorável: Diversos tribunais têm entendido que a negativa de custeio de cirurgia robótica, quando devidamente indicada, configura prática ilícita por parte dos planos de saúde. Esse entendimento tem como base o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana.

 

O rol da ANS é exemplificativo: Negativas podem ser revertidas judicialmente

Uma questão fundamental no debate sobre a cobertura da cirurgia robótica pelos planos de saúde é o entendimento sobre a natureza do rol de procedimentos e eventos em saúde da ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar. Embora algumas operadoras defendam que o rol seja taxativo – ou seja, que somente os tratamentos ali previstos devem ser obrigatoriamente cobertos -, o entendimento majoritário da Justiça brasileira é que o rol tem caráter exemplificativo, e não excludente.

Isso significa que a ausência da cirurgia robótica no rol não é, por si só, um argumento válido para a recusa do tratamento. A legislação brasileira, bem como a jurisprudência consolidada, aponta que:

  • O rol é um parâmetro mínimo de cobertura: A lista da ANS define as obrigações básicas dos planos de saúde, mas não pode limitar o acesso a tratamentos necessários e indicados por médicos.
  • Negativa baseada apenas no rol é abusiva: Conforme o CDC, práticas que neguem tratamentos adequados sob argumentos frágeis, como a ausência de previsão no rol, são consideradas abusivas. Isso porque ferem os princípios da boa-fé e da dignidade humana.
  • Jurisprudência favorável ao consumidor: Diversos tribunais brasileiros já reconheceram a abusividade da negativa de tratamentos não incluídos no rol da ANS, especialmente quando há recomendação médica fundamentada e comprovação de que o procedimento é a melhor opção para o paciente. Decisões judiciais têm determinado que os planos custeiem a cirurgia robótica em situações específicas, destacando que o direito à saúde é prioritário.

Em resumo, mesmo que a cirurgia robótica ainda não esteja prevista no rol da ANS, a recusa do plano de saúde pode ser contestada judicialmente. O paciente que enfrentar essa situação tem boas chances de reverter a negativa, especialmente quando a necessidade do procedimento for bem documentada e embasada por laudos médicos.

Essas decisões reforçam a importância de conhecer os próprios direitos e buscar apoio jurídico especializado quando necessário.

Como agir diante de uma negativa?

Caso o plano de saúde se recuse a custear a cirurgia robótica, o paciente deve tomar algumas medidas importantes:

  • Solicitar uma justificativa por escrito: O plano de saúde deve explicar formalmente os motivos da negativa.\
  • Obter um relatório médico detalhado: O médico responsável deve descrever a necessidade da cirurgia robótica, destacando seus benefícios e justificando a escolha.
  • Buscar orientação jurídica: Um advogado especializado em direito à saúde pode auxiliar na análise do caso e, se necessário, ingressar com uma ação judicial para garantir o tratamento.

Conclusão

A cirurgia robótica representa um avanço significativo no tratamento do câncer, trazendo benefícios concretos para os pacientes. Embora os planos de saúde nem sempre incluam essa modalidade como parte do rol obrigatório, as decisões judiciais mostram um caminho positivo para quem busca esse direito. Diante de uma negativa, é fundamental estar informado e contar com apoio jurídico especializado para assegurar o acesso a um tratamento mais moderno e eficaz.

Fonte: Migalhas e Jusbrasil

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Evilasio Tenorio

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Evilasio Tenorio é advogado inscrito na OAB/PE 31.019, fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação. Atua de forma especializada em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência, com formação complementar em Planos de Saúde. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo, tratamentos oncológicos e demais procedimentos negados. Também atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. É coautor de livros jurídicos publicados pela Editora Foco, membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE e do Instituto Miguel Kfouri Neto. Atende clientes presencialmente em Recife/PE e em todo o Brasil pela internet.

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