ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 4 MINUTOS

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Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

O artigo aborda a situação de aposentados que estão em tratamento contínuo, como quimioterapia para câncer, e enfrentam o cancelamento do plano de saúde pela empresa após a aposentadoria. Destaca que a Lei dos Planos de Saúde e a jurisprudência, especialmente o Tema 1.082 do STJ, protegem o direito de manter o plano, mesmo após o término do vínculo empregatício, desde que o aposentado tenha contribuído para o plano durante o período de trabalho. Além disso, enfatiza que a rescisão do plano durante o tratamento médico é considerada abusiva e pode ser revertida judicialmente, garantindo a continuidade do tratamento e a proteção dos direitos à saúde e à vida.

Atualização jurisprudencial · junho de 2026

O entendimento especificamente sobre a obrigatoriedade de cobertura de tratamentos oncológicos pelos planos de saúde está consolidado no STJ e permanece favorável ao beneficiário.

A jurisprudência é firme no sentido de que a operadora é obrigada a custear medicamentos e procedimentos para o tratamento do câncer, incluindo antineoplásicos de uso oral ou domiciliar, exames como radioterapia e PET-CT, e medicamentos prescritos em caráter off-label. A discussão sobre a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS é considerada irrelevante pelo STJ nessas situações: a cobertura da doença obriga o plano a fornecer o tratamento indicado pelo médico responsável.

A recusa de cobertura nesses casos é amplamente reconhecida como abusiva pelo Poder Judiciário. Se o seu plano negou um tratamento oncológico, consulte um advogado para avaliar as medidas cabíveis.

Se você está em tratamento contínuo — como quimioterapia para câncer — e recebeu a notícia de que a empresa quer cancelar seu plano de saúde após a aposentadoria, atenção: isso pode ser ilegal. Muitas pessoas nessa situação não sabem que a Lei e a Justiça protegem o direito de manter o plano, mesmo após o fim do vínculo com a empresa.

Neste artigo, você vai entender:

  • ✅ Quando o aposentado tem direito de manter o plano de saúde;
  • ✅ O que fazer se estiver em tratamento e a empresa quiser cortar o plano;
  • ✅ O que diz a lei e a jurisprudência sobre esse tema;
  • ✅ Como agir para proteger sua saúde e seus direitos.

🩺 Se estou em tratamento de câncer, posso perder meu plano de saúde?

Não. 

A Justiça brasileira entende que é ilegal e abusiva a exclusão de paciente em tratamento contínuo, especialmente quando envolve doenças graves como o câncer.

Mesmo que a empresa alegue que o vínculo empregatício acabou, o direito à vida e à continuidade do tratamento prevalecem sobre qualquer cláusula contratual.

⚖️ Decisões como a do STJ (Tema 1.082) deixam claro que a rescisão unilateral do plano durante o tratamento médico fere o princípio da boa-fé e pode ser revertida judicialmente.

👩‍⚖️ Tenho direito de manter o plano após me aposentar?

Sim, desde que você tenha contribuído com o plano de saúde durante seu período na empresa.

Segundo o art. 31 da Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98):

“O aposentado que contribuiu para o plano de saúde durante o vínculo empregatício tem direito de permanecer como beneficiário, desde que assuma o pagamento integral.”

💡 Importante: Mesmo que a empresa pagasse a maior parte, se você arcava com qualquer valor, já tem direito de continuar no plano.

🚨 O que a empresa não pode fazer

Se você tinha o direito de manter o plano, a empresa não pode simplesmente cortar seu plano sem te oferecer a opção de permanência.

Também não pode te excluir enquanto você estiver em tratamento médico contínuo.

Se isso acontecer:

  • Exija por escrito a manutenção do plano;
  • Junte provas de contribuição (holerites, contracheques);
  • E, se necessário, entre com uma ação judicial com pedido de liminar para garantir a continuidade imediata do tratamento.

⚖️ Mesmo sem cumprir os requisitos da lei, posso manter o plano se estiver em tratamento?

Sim.

Mesmo que você não tenha direito à manutenção do plano com base no artigo 31 da Lei dos Planos de Saúde, ainda assim pode ter direito à continuidade da cobertura se estiver em tratamento médico ativo, com base no Tema 1.082 do STJ.

Nele, o STJ firmou a tese de que é abusiva a rescisão contratual do plano de saúde quando o beneficiário estiver em tratamento médico, especialmente em casos de doenças graves ou crônicas, como o câncer.

Isso significa que, mesmo que a operadora tente alegar que você “não tem mais direito” ao plano, a Justiça pode garantir a manutenção do contrato, para que o tratamento iniciado sob a vigência do contrato seja mantido até a sua conclusão, protegendo seu direito à saúde, à vida e à dignidade.

📚 O que diz a jurisprudência

  • 🏛️ STJ – Tema 1.082: O plano não pode cancelar contrato de paciente em tratamento contínuo, mesmo diante de rescisão do contrato principal.

📌 Resumo: seus direitos em 6 pontos

  1. ✅ Se você contribuía com o plano da empresa, pode mantê-lo mesmo após a aposentadoria.
  2. ✅ O plano não pode ser cancelado durante tratamento de câncer ou qualquer doença grave.
  3. ⚠️ Cancelar o plano nesse contexto é prática abusiva, e pode ser revertida na Justiça.
  4. ✅ Você pode assumir o pagamento integral, mas manter a mesma cobertura.
  5. ✅ Se a empresa não respeitar isso, procure um advogado e entre com pedido de tutela de urgência.
  6. ⚠️ Mesmo em casos que a pessoa não tenha o direito a manter o plano por lei, é possível manter o plano na Justiça se estiver em tratamento de saúde.

🛡️ Como garantir que seu plano de saúde continue cobrindo seu tratamento

Se você está enfrentando essa situação, não aceite a exclusão passivamente. O Direito à Saúde está acima de burocracias contratuais. Você pode e deve agir para garantir a continuidade do seu tratamento — inclusive com decisões judiciais rápidas, por meio de tutelas de urgência.

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!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: maio de 2025. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

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