Resumo do artigo
O art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988 lista 16 doenças que garantem isenção do IR sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão: neoplasia maligna, cardiopatia grave, Parkinson, AIDS, esclerose múltipla, nefropatia grave, hepatopatia grave, cegueira, paralisia irreversível, tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, espondiloartrose anquilosante, fibrose cística, contaminação por radiação e doença de Paget avançada.
Introdução
O art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988 estabelece 16 doenças que garantem isenção total do Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. A lista é taxativa: somente as condições expressamente previstas nesse dispositivo garantem o benefício de forma automática no âmbito administrativo.
Conhecer cada uma dessas condições é essencial, porque erros de enquadramento são uma das causas mais frequentes de indeferimento administrativo. Algumas doenças constam da lei com denominações antigas ou técnicas que não correspondem à nomenclatura usada no laudo médico atual, e essa divergência pode gerar negativas evitáveis.
Este artigo apresenta as 16 condições, explica o que cada uma abrange e indica os pontos que merecem atenção ao comprovar o direito. Para entender o funcionamento geral da isenção, consulte o guia completo sobre isenção de IR por doença grave.
Leia também: O que diz a Lei 7.713/1988 sobre isenção de IR, Isenção de IR para pacientes com câncer e Isenção de IR para Parkinson, esclerose múltipla e doenças neurológicas.
Conteúdo do artigo
A lista é taxativa: o que isso significa na prática?
A lista ser taxativa significa que o benefício é reconhecido administrativamente apenas para as 16 condições previstas no art. 6º, XIV. A Receita Federal e o INSS não têm margem para ampliar o rol por analogia ou interpretação extensiva.
Isso não significa, porém, que doenças com gravidade equivalente estejam definitivamente excluídas. Quando uma condição não consta da lista mas tem gravidade análoga a uma das previstas, é possível buscar o reconhecimento judicial do direito. O caminho é mais longo, mas tem precedentes favoráveis em tribunais federais.
Para as 16 condições listadas, o reconhecimento depende apenas de laudo médico adequado e enquadramento correto. Mais detalhes sobre o procedimento estão no artigo sobre como solicitar a isenção e a restituição de IR por doença grave.
Quais são as 16 doenças previstas em lei?
As condições estão listadas abaixo com as informações práticas relevantes para o enquadramento:
1. Neoplasia maligna — abrange qualquer tipo de câncer, em qualquer órgão ou sistema. Não há restrição por estágio da doença. O diagnóstico oncológico ativo ou em remissão está abrangido. Para saber mais sobre a isenção específica para pacientes oncológicos, leia o artigo sobre isenção de IR para pacientes com câncer.
2. Cardiopatia grave — abrange doenças cardíacas de gravidade comprovada, como insuficiência cardíaca congestiva, miocardiopatias e arritmias graves. A palavra “grave” exige que o laudo médico descreva a extensão e o impacto funcional da condição, não apenas o diagnóstico genérico.
3. Doença de Parkinson — a denominação legal corresponde diretamente à nomenclatura atual. O laudo deve indicar o diagnóstico de doença de Parkinson, com ou sem sintomas ativos, conforme a Súmula 627 do STJ.
4. AIDS — síndrome da imunodeficiência adquirida causada pelo HIV. Inclui tanto os portadores assintomáticos quanto os com manifestações clínicas instaladas. O laudo deve confirmar o diagnóstico de AIDS, não apenas de soropositividade para o HIV sem manifestação da síndrome.
5. Esclerose múltipla — doença neurológica autoimune desmielinizante. O laudo deve confirmar o diagnóstico, independentemente do estágio ou da forma clínica (remitente-recorrente, progressiva primária ou secundária).
6. Nefropatia grave — abrange doenças renais graves, como insuficiência renal crônica em estágio avançado e síndrome nefrótica grave. O laudo deve demonstrar a gravidade da condição renal, não apenas a existência de doença renal leve ou moderada.
7. Hepatopatia grave — abrange doenças hepáticas graves, como cirrose hepática, hepatite fulminante e insuficiência hepática. Da mesma forma que na nefropatia, a gravidade precisa estar explícita no laudo.
8. Cegueira, inclusive monocular — ponto que gerou controvérsia histórica e está hoje pacificado. A cegueira de um único olho (monocular) está expressamente abrangida desde a inclusão desse termo no dispositivo. O laudo oftalmológico deve descrever a acuidade visual e confirmar o enquadramento.
9. Paralisia irreversível e incapacitante — exige que a paralisia seja simultaneamente irreversível e incapacitante. Paralisias reversíveis ou que não geram incapacidade funcional relevante não se enquadram. O laudo deve descrever ambas as características.
10. Tuberculose ativa — a lei exige que a tuberculose esteja ativa no momento do diagnóstico que fundamenta o pedido. Tuberculose curada ou latente não está abrangida.
11. Hanseníase — doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae. O diagnóstico de hanseníase, em qualquer forma clínica, enquadra o contribuinte na isenção.
12. Alienação mental — expressão jurídica utilizada na lei para denominar transtornos mentais graves com perda de contato com a realidade, como esquizofrenia e psicoses graves. O laudo psiquiátrico deve confirmar o diagnóstico e descrever a condição de forma compatível com o enquadramento legal.
13. Espondiloartrose anquilosante — também conhecida como espondilite anquilosante, trata-se da mesma condição com denominações diferentes. O laudo reumatológico pode conter qualquer uma das duas nomenclaturas para fins de enquadramento.
14. Fibrose cística (mucoviscidose) — doença genética que afeta múltiplos órgãos, principalmente pulmões e pâncreas. O diagnóstico deve estar confirmado por laudo especializado.
15. Contaminação por radiação — abrange situações de exposição a radiação ionizante com consequências documentadas para a saúde. O laudo deve descrever o quadro clínico decorrente da contaminação.
16. Doença de Paget em estágio avançado (osteíte deformante) — a lei exige expressamente que a doença esteja em estágio avançado. Casos iniciais ou moderados não se enquadram sem essa comprovação específica.
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Qual é o ponto mais importante no enquadramento de cada doença?
O laudo médico é o documento central e o ponto mais crítico do processo. Ele precisa fazer a correspondência entre o diagnóstico atual do paciente e a nomenclatura ou condição descrita na lei.
Para doenças com exigência de gravidade explícita na norma, como cardiopatia grave, nefropatia grave, hepatopatia grave e doença de Paget avançada, o laudo deve descrever o grau de comprometimento, e não apenas nomear a doença. Um laudo que diz apenas “cardiopatia” sem qualificar a gravidade é insuficiente e tende a gerar indeferimento administrativo.
Para doenças com denominação desatualizada na lei, como espondiloartrose anquilosante e alienação mental, o laudo pode usar a nomenclatura atual desde que o médico ou o próprio requerimento estabeleça a equivalência com o termo legal.
Conclusão
As 16 doenças previstas no art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988 formam uma lista fechada, mas suficientemente abrangente para alcançar as condições crônicas e graves mais comuns entre aposentados e pensionistas. O enquadramento correto depende do laudo médico adequado, com linguagem que corresponda ao que a lei exige para cada condição.
Identificar a doença na lista é o primeiro passo. O segundo é garantir que o laudo descreva a condição com os elementos que a norma exige para cada caso específico.
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Doenças que dão direito à isenção de IR: a lista completa da lei
Quantas doenças garantem isenção de IR sobre a aposentadoria?
São 16 condições previstas no art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988. A lista é taxativa e somente essas condições garantem o benefício de forma automática no âmbito administrativo.
Qualquer tipo de câncer dá direito à isenção de IR?
Sim. A lei usa o termo neoplasia maligna sem restrição de órgão ou estágio. Qualquer diagnóstico oncológico maligno, ativo ou em remissão, enquadra o beneficiário na isenção.
A cegueira de um olho só (monocular) está abrangida?
Sim. A lei inclui expressamente a cegueira monocular. O laudo oftalmológico deve descrever a acuidade visual e confirmar o enquadramento.
Espondiloartrose anquilosante e espondilite anquilosante são a mesma coisa para fins de isenção?
Sim. Trata-se da mesma condição com denominações diferentes. O laudo pode conter qualquer uma das duas nomenclaturas para fins de enquadramento na isenção.
A doença de Paget em qualquer estágio dá direito à isenção?
Não. A lei exige expressamente que a doença esteja em estágio avançado. Casos iniciais ou moderados não se enquadram sem essa comprovação específica no laudo.
O que acontece se minha doença não estiver na lista?
No âmbito administrativo, o benefício não é reconhecido automaticamente. Para condições com gravidade equivalente às listadas, é possível buscar o reconhecimento judicial do direito.
Tuberculose curada dá direito à isenção de IR?
Não. A lei exige tuberculose ativa. Tuberculose curada ou em estado latente não está abrangida pelo benefício.
O laudo precisa usar exatamente os termos da lei?
Não necessariamente. O laudo pode usar a nomenclatura médica atual, desde que seja possível estabelecer a correspondência com a condição prevista na lei. Para doenças com exigência de gravidade, o laudo precisa descrever essa gravidade de forma explícita.

