Resumo do artigo
O plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o NALIRIFOX quando há prescrição médica fundamentada para o tratamento do adenocarcinoma pancreático metastático, já que a cobertura da quimioterapia oncológica é obrigatória por lei, independentemente da listagem específica no rol da ANS.
Atenção: como a justiça tem lidado com medicamentos
Atualmente, a interpretação jurídica sobre o fornecimento de medicamentos de alto custo, tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, vem sendo influenciada por julgamentos recentes que redefiniram pontos relevantes sobre o tema.
Para quem depende do SUS
O STF fixou nos Temas 6 e 1234 que medicamentos fora das listas oficiais (RENAME, RESME, REMUME) não podem ser concedidos judicialmente como regra geral. A concessão excepcional continua possível, mas exige requisitos cumulativos: negativa administrativa prévia, comprovação de ilegalidade ou mora na análise pela Conitec, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS e, sempre que possível, consulta prévia ao NAT-Jus ou a um especialista para atestar a indispensabilidade do medicamento não padronizado. Além disso, o Tema 1234 definiu que ações com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos devem ser propostas na Justiça Federal, com a União no polo passivo, sendo a responsabilidade pelo custeio compartilhada entre os entes federados conforme o valor do tratamento.
Para quem tem plano de saúde
O STF definiu na ADI 7.265 que o rol da ANS é taxativo, mas com taxatividade mitigada. A cobertura de procedimentos e medicamentos fora do rol continua possível mediante cinco requisitos cumulativos: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou análise pendente pela ANS; inexistência de alternativa no rol; comprovação de eficácia por evidências científicas de alto nível; e registro na ANVISA.
Se você busca acesso a um medicamento de alto custo e teve seu pedido negado, consulte um advogado para avaliar qual o caminho mais adequado ao seu caso.
Atualização jurisprudencial · junho de 2026
O entendimento especificamente sobre a obrigatoriedade de cobertura de tratamentos oncológicos pelos planos de saúde está consolidado no STJ e permanece favorável ao beneficiário.
A jurisprudência é firme no sentido de que a operadora é obrigada a custear medicamentos e procedimentos para o tratamento do câncer, incluindo antineoplásicos de uso oral ou domiciliar, exames como radioterapia e PET-CT, e medicamentos prescritos em caráter off-label. A discussão sobre a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS é considerada irrelevante pelo STJ nessas situações: a cobertura da doença obriga o plano a fornecer o tratamento indicado pelo médico responsável.
A recusa de cobertura nesses casos é amplamente reconhecida como abusiva pelo Poder Judiciário. Se o seu plano negou um tratamento oncológico, consulte um advogado para avaliar as medidas cabíveis.
Introdução
O plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o NALIRIFOX quando há prescrição médica fundamentada para o tratamento do câncer de pâncreas metastático, já que a cobertura da quimioterapia oncológica é obrigatória por lei.
NALIRIFOX é o nome dado ao esquema de quimioterapia que combina irinotecano lipossomal (Onivyde), oxaliplatina, fluorouracila e leucovorina, todos administrados por via intravenosa. A Anvisa registrou o Onivyde em abril de 2025 para uso em pacientes que não responderam à gencitabina. Há indicação, ainda não confirmada de forma independente para o Brasil no momento da redação deste texto, de que o registro teria sido ampliado para uso em primeira linha, isto é, como primeiro tratamento oferecido ao paciente com a doença metastática.
Diante de um tratamento de alto custo como esse, é comum que operadoras neguem o custeio. Este artigo explica quando essa negativa pode ser considerada abusiva.
Conteúdo do artigo
O que é o NALIRIFOX?
NALIRIFOX é o nome do esquema de quimioterapia intravenosa que combina irinotecano lipossomal, oxaliplatina, fluorouracila (5-FU) e leucovorina, usado no tratamento do adenocarcinoma pancreático metastático.
O irinotecano lipossomal é comercializado como Onivyde e utiliza uma tecnologia de encapsulamento que altera sua distribuição no organismo, permitindo maior permanência do princípio ativo direcionado ao tumor. O regime já é utilizado internacionalmente como primeira linha de tratamento, com base no estudo de fase 3 NAPOLI-3, que comparou o NALIRIFOX à combinação de nab-paclitaxel com gencitabina.
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Quando o NALIRIFOX é indicado?
O NALIRIFOX é indicado para pacientes adultos com adenocarcinoma pancreático metastático (Câncer de pâncreas) que ainda não receberam quimioterapia sistêmica para a doença avançada, caracterizando o tratamento de primeira linha.
A escolha do esquema depende de avaliação individualizada do oncologista, que considera o estado clínico do paciente, a extensão da doença, a função dos órgãos e eventuais contraindicações. Fora desse cenário de primeira linha, o irinotecano lipossomal isolado (Onivyde), combinado apenas com fluorouracila e leucovorina, já tem indicação confirmada e registrada no Brasil desde abril de 2025 para pacientes com progressão da doença após tratamento com gencitabina.
Esse é o ponto que diferencia as duas situações: o uso do irinotecano lipossomal em segunda linha, após falha da gencitabina, está registrado na Anvisa; já o uso do esquema completo NALIRIFOX como primeira linha depende da confirmação da ampliação de indicação mencionada na nota anterior, ainda não verificada por mim de forma independente.
O plano de saúde é obrigado a cobrir o NALIRIFOX?
Pode ser obrigado, quando há prescrição médica fundamentada para o tratamento do câncer de pâncreas metastático do paciente.
A Lei nº 9.656/1998 estabelece que a cobertura da doença listada na Classificação Internacional de Doenças (CID) alcança o tratamento indicado pelo médico assistente para controlá-la, observada a segmentação contratada. Como o NALIRIFOX é quimioterapia intravenosa, sua cobertura segue as regras aplicáveis a esse tipo de tratamento oncológico, que costumam ter cobertura mais ampla do que medicamentos orais de uso domiciliar.
Complementarmente, a Lei nº 14.454/2022 exige fundamentação científica para a cobertura de tratamentos que não estejam expressamente previstos no rol da ANS ou que divirjam das diretrizes da agência. A existência de registro na Anvisa e de estudos clínicos de fase 3 sustentando a eficácia do NALIRIFOX reforça essa fundamentação.
A negativa do plano é sempre baseada no mesmo argumento?
Não necessariamente, mas a alegação mais comum costuma ser a de que o esquema específico, ou a combinação particular de medicamentos, não está listado no rol da ANS.
Esse argumento, isoladamente, tende a não ser suficiente diante de tratamento oncológico com prescrição médica fundamentada, CID documentado e respaldo em estudo clínico controlado. A jurisprudência brasileira costuma considerar abusiva a negativa de tratamento oncológico baseada apenas na ausência de listagem específica, quando a doença em si tem cobertura contratual obrigatória.
O que fazer se o plano negar o NALIRIFOX?
Diante da negativa, alguns passos ajudam a organizar o caso:
- Solicitar a negativa por escrito, com a justificativa detalhada da operadora.
- Reunir o relatório médico completo, com CID, estadiamento da doença, histórico de tratamentos anteriores e a justificativa clínica para a escolha do NALIRIFOX.
- Buscar orientação jurídica especializada para avaliar a via administrativa ou judicial, inclusive com pedido de tutela de urgência, já que em tratamento oncológico o tempo de espera pode comprometer o resultado terapêutico.
Veja mais sobre negativas de tratamentos de alto custo no artigo Negativa de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde.
Conclusão
O NALIRIFOX é um esquema de quimioterapia para câncer de pâncreas metastático que pode ter cobertura exigível do plano de saúde diante de prescrição médica fundamentada, com base na Lei 9.656/1998 e na Lei 14.454/2022. Antes de aceitar uma negativa, vale confirmar a fundamentação da recusa e reunir a documentação médica completa.
Se este artigo foi útil, leia também Como conseguir remédio de alto custo pelo SUS: veja o passo a passo completo.
Perguntas frequentes
NALIRIFOX para Câncer de Pâncreas: o Plano de Saúde Cobre?
O que é NALIRIFOX?
É um esquema de quimioterapia intravenosa que combina irinotecano lipossomal (Onivyde), oxaliplatina, fluorouracila e leucovorina, usado no tratamento do câncer de pâncreas metastático.
O plano de saúde deve cobrir o NALIRIFOX?
Pode ser obrigado, diante de prescrição médica fundamentada para o tratamento do câncer de pâncreas metastático do paciente.
O plano pode negar por o esquema não estar no rol da ANS?
Essa justificativa isolada tende a não ser suficiente diante de tratamento oncológico com prescrição médica e CID documentado.
O que fazer se o plano negar o NALIRIFOX?
Solicitar a negativa por escrito, reunir relatório médico com CID e histórico de tratamentos, e buscar orientação jurídica para avaliar recurso administrativo ou ação judicial.
!Vigência das informações
O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: setembro de 2026. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

