ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 4 MINUTOS

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Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

O programa "Agora Tem Especialistas", anunciado pelo Governo Federal, visa reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias no SUS por meio de medidas como mutirões de saúde, telessaúde, credenciamento de clínicas privadas e ampliação de especialistas em áreas críticas. O financiamento do programa envolve a utilização de dívidas dos planos de saúde com o SUS, convertendo parte dessas dívidas em serviços médicos prestados por hospitais e clínicas privadas. Apesar das expectativas positivas quanto à redução do tempo de espera, o programa enfrenta críticas relacionadas à fragmentação da assistência, risco de precarização dos serviços, participação social limitada, parcerias com o setor privado e questões jurídicas sobre a legalidade das mudanças propostas.

Introdução

O Governo Federal anunciou recentemente o programa Agora Tem Especialistas, voltado a reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi recebida com grande repercussão nacional, já que o problema da demora no acesso a serviços especializados é histórico e compromete diretamente a efetividade do direito constitucional à saúde.

Neste artigo, apresento uma análise sob a ótica jurídica e prática da saúde, considerando tanto os objetivos do programa quanto as críticas levantadas por especialistas e entidades do setor.

O que é o programa Agora Tem Especialistas?

Trata-se de um conjunto de medidas criadas pelo Ministério da Saúde com a meta de acelerar o atendimento de pacientes do SUS. Entre as principais estratégias estão:

  • Mutirões de saúde em diferentes regiões do país;
  • Telessaúde, para ampliar o alcance de consultas e diagnósticos à distância;
  • Credenciamento de clínicas e hospitais privados, de modo a reforçar a rede pública;
  • Ampliação de profissionais especialistas, especialmente em áreas com déficit de oferta.

O foco inicial recai sobre especialidades críticas como cardiologia, oncologia, ginecologia, oftalmologia e otorrinolaringologia, justamente aquelas que mais acumulam filas de espera.

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O pano de fundo: dívidas dos planos de saúde com o SUS

Um dos pontos mais debatidos está na origem do financiamento do programa. Estima-se que as operadoras de planos de saúde devam bilhões ao SUS, em razão de atendimentos realizados pela rede pública a beneficiários de planos privados (ressarcimento ao SUS).

O governo decidiu utilizar parte desses débitos de maneira inovadora: em vez de receber apenas em dinheiro, parte da compensação será convertida em serviços médicos prestados ao SUS por hospitais e clínicas privadas.

Críticas levantadas por especialistas

Apesar da boa intenção, o programa foi alvo de críticas de diferentes setores:

  1. Fragmentação da assistência – há temor de que a medida ataque apenas um ponto (atendimento especializado), sem fortalecer a atenção primária, responsável pela organização e prevenção.
  2. Risco de precarização – se os valores pagos pelos pacotes forem insuficientes, pode haver queda na qualidade dos serviços.
  3. Participação social limitada – entidades de saúde apontam falta de debate amplo com conselhos de saúde e movimentos sociais.
  4. Parcerias com o setor privado – há receio de que recursos públicos acabem privilegiando interesses privados, sem garantia de eficiência ou controle adequado.
  5. Questões jurídicas – advogados questionam a legalidade de se instituir mudanças estruturais por Medida Provisória, além do risco de desigualdade regional e de enfraquecimento de princípios constitucionais do SUS, como integralidade e equidade.

Impactos esperados

Do ponto de vista prático, a expectativa é positiva. O programa poderá:

  • Reduzir significativamente o tempo de espera em especialidades críticas;
  • Tornar mais eficiente a utilização dos recursos do SUS;
  • Ampliar a rede de prestadores, aproximando serviços de regiões carentes;
  • Oferecer solução imediata a pacientes que aguardam há meses, ou até anos, por procedimentos.

Conclusão

Como advogado especialista em Direito da Saúde, não posso deixar de reconhecer que qualquer política pública destinada a agilizar o atendimento do SUS deve ser vista com atenção e esperança. É claro que as críticas precisam ser levadas a sério, especialmente no que toca à legalidade, ao controle social e à qualidade dos serviços prestados.

Contudo, não se pode ignorar o potencial transformador da medida: converter dívidas históricas em atendimento real, transformar filas em consultas e dar concretude ao direito constitucional à saúde.

✨ O desafio será equilibrar eficiência, legalidade e equidade. Se bem conduzido, o Agora Tem Especialistas pode representar um passo importante para fortalecer o SUS e devolver dignidade a milhões de brasileiros que aguardam por cuidado médico especializado.

Autor:

Evilasio Tenorio é advogado, especialista em Direito Médico e da Saúde pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e em Direito da Saúde pela Faculdade CERS. Possui também especialização em Direito Civil pela Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) e extensão universitária em Planos de Saúde pela Faculdade de Brasília. É membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE, da AASP e da Comissão de Direito da Saúde da ABA. Atua nacionalmente na defesa de pacientes, pessoas com deficiência, e profissionais da saúde, com ênfase em judicialização de tratamentos e medicamentos.

!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: setembro de 2025. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

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