Resumo do artigo
O Empaveli (pegcetacoplana) é um medicamento utilizado no tratamento da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), uma doença rara que causa destruição inadequada dos glóbulos vermelhos. O acesso a esse medicamento de alto custo pode ser desafiador, levando pacientes a buscar fornecimento pelo SUS ou planos de saúde, que muitas vezes negam a cobertura. Em casos de negativa, é possível recorrer ao Poder Judiciário, que pode determinar o fornecimento do medicamento, especialmente quando há prescrição médica fundamentada e necessidade clínica comprovada.
Atenção: como a justiça tem lidado com medicamentos
Atualmente, a interpretação jurídica sobre o fornecimento de medicamentos de alto custo, tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, vem sendo influenciada por julgamentos recentes que redefiniram pontos relevantes sobre o tema.
Para quem depende do SUS
O STF fixou nos Temas 6 e 1234 que medicamentos fora das listas oficiais (RENAME, RESME, REMUME) não podem ser concedidos judicialmente como regra geral. A concessão excepcional continua possível, mas exige requisitos cumulativos: negativa administrativa prévia, comprovação de ilegalidade ou mora na análise pela Conitec, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS e, sempre que possível, consulta prévia ao NAT-Jus ou a um especialista para atestar a indispensabilidade do medicamento não padronizado. Além disso, o Tema 1234 definiu que ações com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos devem ser propostas na Justiça Federal, com a União no polo passivo, sendo a responsabilidade pelo custeio compartilhada entre os entes federados conforme o valor do tratamento.
Para quem tem plano de saúde
O STF definiu na ADI 7.265 que o rol da ANS é taxativo, mas com taxatividade mitigada. A cobertura de procedimentos e medicamentos fora do rol continua possível mediante cinco requisitos cumulativos: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou análise pendente pela ANS; inexistência de alternativa no rol; comprovação de eficácia por evidências científicas de alto nível; e registro na ANVISA.
Se você busca acesso a um medicamento de alto custo e teve seu pedido negado, consulte um advogado para avaliar qual o caminho mais adequado ao seu caso.
Introdução
O Empaveli (pegcetacoplana) é um medicamento inovador utilizado no tratamento de doenças raras e graves, especialmente a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN). Trata-se de uma terapia moderna que atua no sistema complemento, ajudando a controlar a destruição dos glóbulos vermelhos e reduzindo complicações associadas à doença.
Por ser um medicamento de alto custo, o acesso ao Empaveli pode ser um grande desafio para os pacientes. O valor do tratamento pode ultrapassar facilmente dezenas de milhares de reais por mês, tornando inviável o custeio particular para a maioria das pessoas.
Diante disso, surge a principal dúvida: é possível obter o Empaveli pelo SUS ou pelo plano de saúde? Este artigo responde essa questão com base no Direito à Saúde e na jurisprudência brasileira.
Conteúdo do artigo
- 1.Introdução
- 2.Para que serve o Empaveli (pegcetacoplana)?
- 3.É possível obter pelo SUS?
- 4.É possível obter pelo plano de saúde?
- 5.Os planos de saúde só devem cobrir o que está no rol da ANS?
- 6.A negativa do fornecimento do medicamento pode ser considerada abusiva?
- 7.Não tenho plano de saúde, posso acionar o SUS na Justiça?
- 8.O processo judicial demora?
- 9.O que é necessário para buscar o fornecimento judicial do medicamento?
- 10.Como fazer em caso de negativa?
- 11.Uma liminar demora muito?
- 12.Qual a importância da contratação de um advogado especializado na área?
- 13.Conclusão
Para que serve o Empaveli (pegcetacoplana)?
O Empaveli é indicado principalmente para o tratamento de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), uma doença rara, crônica e potencialmente grave.
A HPN ocorre quando o sistema imunológico destrói os glóbulos vermelhos de forma inadequada, causando sintomas como:
- Anemia intensa
- Fadiga extrema
- Falta de ar
- Risco aumentado de trombose
- Complicações renais
O pegcetacoplana atua inibindo o sistema complemento (C3), reduzindo a destruição das hemácias e melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente.
É possível obter pelo SUS?
Sim, é possível obter o Empaveli (pegcetacoplana) pelo SUS, com a ajuda de um advogado especialista em ações contra o SUS. O SUS é obrigado a fornecer medicamentos de alto custo para condições graves, como a hemoglobinúria paroxística noturna. No entanto, o processo pode ser demorado e requer a apresentação de uma série de documentos, incluindo relatórios médicos detalhados.
Na prática, muitos medicamentos inovadores — como o Empaveli — não estão incorporados nas listas padronizadas do SUS, o que leva à negativa administrativa inicial. Contudo, o Poder Judiciário tem reconhecido que, quando há necessidade comprovada, o Estado deve fornecer o tratamento, especialmente quando:
- Não existem alternativas eficazes disponíveis no SUS
- O medicamento é essencial para a sobrevivência ou qualidade de vida
- Há prescrição médica fundamentada
É possível obter pelo plano de saúde?
Sim, os planos de saúde também são obrigados a cobrir o custo de medicamentos de alto custo, como o Empaveli, conforme determina a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Entretanto, é comum que as operadoras neguem o fornecimento alegando que o medicamento não está incluído no rol da ANS ou que seria de uso domiciliar. Essas negativas, em muitos casos, são consideradas abusivas.
Diante disso, o paciente deve:
- Solicitar a negativa formal por escrito
- Reunir documentação médica detalhada
- Procurar um advogado especialista em ações contra planos de saúde
A Justiça tem reiteradamente determinado a cobertura de medicamentos essenciais, mesmo fora do rol.
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Tire suas duvidas com um advogado especializado e entenda seus direitos antes de qualquer decisao.
Os planos de saúde só devem cobrir o que está no rol da ANS?
Não. O rol da ANS não é taxativo, ou seja, não se trata de uma lista fechada.
Ele funciona como uma referência mínima de cobertura, e não como limitação absoluta. Assim, se o plano cobre determinada doença — como a HPN — ele também deve garantir os meios adequados para seu tratamento.
Segundo o Dr. Evilasio Tenorio, advogado especializado em Direito da Saúde:
“O rol da ANS não é taxativo, mas uma lista mínima obrigatória. Quando há indicação médica fundamentada e necessidade clínica comprovada, o plano de saúde deve fornecer o tratamento adequado, mesmo que ele não esteja expressamente listado. A jurisprudência tem evoluído no sentido de proteger o paciente e garantir o acesso ao tratamento necessário.”
A negativa do fornecimento do medicamento pode ser considerada abusiva?
Sim. A negativa pode ser considerada abusiva, principalmente quando:
- Existe prescrição médica fundamentada
- O medicamento é essencial para o tratamento
- Não há alternativa terapêutica eficaz
O Código de Defesa do Consumidor e a jurisprudência dos tribunais entendem que a operadora não pode interferir na conduta médica.
Não tenho plano de saúde, posso acionar o SUS na Justiça?
Sim. O paciente que não possui plano de saúde pode recorrer ao SUS.
Para isso, será necessário apresentar:
- Laudo médico detalhado
- Justificativa da escolha do Empaveli
- Demonstração de que outras opções não são eficazes
- Comprovação de incapacidade financeira
É fundamental buscar um advogado especializado em ações contra o SUS para orientar corretamente o processo.
O processo judicial demora?
De modo geral, processos judiciais podem levar tempo. No entanto, em casos de saúde, a legislação permite a concessão de uma liminar (tutela de urgência).
Essa decisão pode garantir o fornecimento do medicamento logo no início do processo, evitando prejuízos ao paciente.
O que é necessário para buscar o fornecimento judicial do medicamento?
Para ingressar com ação judicial, é importante reunir:
- Relatório médico detalhado com indicação do Empaveli
- Justificativa clínica e urgência do tratamento
- Histórico de tratamentos anteriores (se houver)
- Negativa do plano de saúde ou do SUS
- Exames e documentos médicos
Com esses documentos, um advogado especialista poderá avaliar e conduzir o caso.
Como fazer em caso de negativa?
Diante da negativa, o caminho mais seguro é recorrer ao Poder Judiciário.
Um advogado especializado poderá:
- Ingressar com ação judicial
- Solicitar liminar
- Garantir o acesso rápido ao medicamento
Uma liminar demora muito?
Não. Em casos de saúde, decisões liminares são analisadas com urgência.
Muitas vezes, a Justiça pode conceder a liminar em poucos dias, assegurando o início imediato do tratamento.
Qual a importância da contratação de um advogado especializado na área?
O advogado especializado em Direito à Saúde é essencial para:
- Avaliar corretamente o caso
- Reunir provas adequadas
- Agilizar o processo
- Aumentar as chances de concessão da liminar
Além disso, ele conhece a jurisprudência e os melhores argumentos jurídicos para garantir o direito do paciente.
Conclusão
O Empaveli (pegcetacoplana) é um medicamento essencial para pacientes com HPN, mas seu alto custo dificulta o acesso direto.
Tanto o SUS quanto os planos de saúde podem ser obrigados a fornecer o medicamento, especialmente quando há prescrição médica fundamentada e necessidade comprovada.
Diante de negativas, o caminho judicial tem se mostrado eficaz, principalmente com o apoio de um advogado especializado. Estar bem informado é o primeiro passo para garantir o acesso ao tratamento adequado.
!Vigência das informações
O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: janeiro de 2026. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

