TSA ADVOCACIA

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ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 7 MINUTOS

Como conseguir o medicamento Elevidys pelo plano de saúde ou pelo SUS?

O Elevidys é um medicamento de alto custo indicado para o tratamento de Distrofia Muscular de Duchenne. Saiba como garantir seu acesso por meio do SUS ou plano de saúde, mesmo diante de negativas.
Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Resumo do artigo

O artigo aborda a possibilidade de obter o medicamento Elevidys, indicado para Distrofia Muscular de Duchenne, por meio do SUS ou de planos de saúde, apesar do alto custo e da ausência no rol da ANS. Explica que, em caso de negativa, é possível recorrer a ações judiciais, apresentando documentação médica detalhada para obter uma liminar que garanta o fornecimento imediato do tratamento. Destaca que tanto o SUS quanto os planos de saúde podem ser obrigados a fornecer o medicamento, mesmo que não esteja listado no rol da ANS, desde que haja prescrição médica e comprovação da necessidade.

!Atenção: como a justiça tem lidado com medicamentos

Atualmente, a interpretação jurídica sobre o fornecimento de medicamentos de alto custo, tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, vem sendo influenciada por julgamentos recentes que redefiniram pontos relevantes sobre o tema.

Para quem depende do SUS

O STF fixou nos Temas 6 e 1234 que medicamentos fora das listas oficiais (RENAME, RESME, REMUME) não podem ser concedidos judicialmente como regra geral. A concessão excepcional continua possível, mas exige requisitos cumulativos: negativa administrativa prévia, comprovação de ilegalidade ou mora na análise pela Conitec, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS e, sempre que possível, consulta prévia ao NAT-Jus ou a um especialista para atestar a indispensabilidade do medicamento não padronizado. Além disso, o Tema 1234 definiu que ações com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos devem ser propostas na Justiça Federal, com a União no polo passivo, sendo a responsabilidade pelo custeio compartilhada entre os entes federados conforme o valor do tratamento.

Para quem tem plano de saúde

O STF definiu na ADI 7.265 que o rol da ANS é taxativo, mas com taxatividade mitigada. A cobertura de procedimentos e medicamentos fora do rol continua possível mediante cinco requisitos cumulativos: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou análise pendente pela ANS; inexistência de alternativa no rol; comprovação de eficácia por evidências científicas de alto nível; e registro na ANVISA.

Se você busca acesso a um medicamento de alto custo e teve seu pedido negado, consulte um advogado para avaliar qual o caminho mais adequado ao seu caso.

Atenção: registro do Elevidys foi cancelado pela Anvisa

Em 24 de agosto de 2026, a Anvisa cancelou, a pedido da Roche, o registro do Elevidys, medicamento indicado para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne. A decisão ocorreu porque os dados disponíveis sobre sua segurança e eficácia foram considerados insuficientes para manter a autorização sanitária. O tratamento, estimado em R$ 20 milhões, já estava suspenso no Brasil desde julho de 2025.

Com o cancelamento, o medicamento deixa de possuir registro sanitário válido no país, circunstância que impacta diretamente pedidos de fornecimento pelo SUS e pelos planos de saúde, inclusive pela via judicial. A Roche continua obrigada a acompanhar os pacientes que já receberam a terapia, e a Anvisa poderá analisar novamente o medicamento caso sejam apresentadas novas evidências científicas.

Leia o comunicado oficial da Anvisa.

Introdução

Imagine a situação de uma família que descobre que seu filho tem Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença degenerativa rara e progressiva. Diante do diagnóstico, os médicos indicam o uso do medicamento Elevidys, que representa uma esperança real de desacelerar a progressão da doença. O problema? O custo é extremamente elevado, podendo ultrapassar US$ 3 milhões por aplicação. O que fazer nesse cenário?

Neste artigo, abordaremos a possibilidade de obter o Elevidys por meio do SUS ou do plano de saúde. Trataremos dos fundamentos legais que garantem esse direito, explicando o que fazer em caso de negativa, como funciona a liminar e se o medicamento está no rol da ANS.

Para Que Serve o Elevidys?

O Elevidys (delandistrogene moxeparvovec-rokl) é uma terapia gênica aprovada pela FDA (órgão regulador dos EUA) indicada para o tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) em pacientes pediátricos com mutação no gene da distrofina. A DMD é uma condição genética rara que causa degeneração progressiva dos músculos, levando à perda da capacidade de andar e, eventualmente, comprometimento de órgãos vitais.

O Elevidys atua introduzindo uma versão modificada do gene da distrofina nas células musculares do paciente, o que pode ajudar a estabilizar ou até melhorar a função muscular. Trata-se de um tratamento inovador e único, que oferece esperança para uma doença até então sem cura.

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É possível obter o Elevidys pelo SUS?

Sim, é possível obter o Elevidys pelo SUS, com a ajuda de um advogado especialista em ações contra o sistema público de saúde. O SUS é obrigado a fornecer medicamentos de alto custo para condições graves, como a Distrofia Muscular de Duchenne, desde que comprovada a necessidade do tratamento e sua eficácia.

Por se tratar de um medicamento extremamente caro e ainda não incorporado oficialmente ao SUS, é comum que o pedido seja negado administrativamente. Nesses casos, é fundamental entrar com uma ação judicial, apresentando laudos médicos detalhados, relatório médico justificando a prescrição, exames e documentos que comprovem a gravidade da condição e a ausência de alternativas terapêuticas eficazes. A Justiça costuma conceder liminares para garantir o acesso ao tratamento, especialmente quando há risco à vida ou à saúde.

É possível obter o Elevidys pelo plano de saúde?

Sim, os planos de saúde também são obrigados a cobrir o custo de medicamentos de alto custo, como o Elevidys, conforme estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No entanto, por não constar ainda no rol da ANS, muitas operadoras alegam que não estão obrigadas a custeá-lo, negando o fornecimento com base nessa justificativa.

É importante saber que essa prática é combatida judicialmente. Se o plano cobre a doença (no caso, a Distrofia Muscular de Duchenne), deve fornecer o tratamento necessário, mesmo que ele não esteja no rol da ANS. O paciente deve reunir todos os documentos médicos que justifiquem a indicação do Elevidys e procurar um advogado especializado para propor a ação judicial. A Justiça tem concedido decisões favoráveis, garantindo que planos de saúde arquem com esse tipo de tratamento inovador e necessário.

Os planos de saúde só devem cobrir o que está no rol da ANS?

Não. O rol de procedimentos da ANS é exemplificativo, e não uma lista taxativa. Isso significa que o plano de saúde não pode se limitar apenas ao que está descrito no rol, desde que exista respaldo médico-científico e prescrição adequada para o tratamento indicado.

O advogado Dr. Evilasio Tenorio, especialista em Direito da Saúde, explica:

“O rol da ANS não é taxativo, e sim exemplificativo. Se um paciente necessita de um medicamento ou tratamento que não está listado no rol, mas que é essencial para a sua condição de saúde e possui fundamentação médica adequada, o plano de saúde tem a obrigação de fornecer esse tratamento. A jurisprudência tem reconhecido a natureza exemplificativa do rol, garantindo que a cobertura vá além do que está listado, sempre que necessário para a saúde do paciente.”

A negativa do fornecimento do medicamento pode ser considerada abusiva?

Sim. A negativa de fornecimento do Elevidys por parte do plano de saúde ou do SUS pode ser considerada abusiva, especialmente quando houver prescrição médica e comprovação da eficácia do medicamento. Segundo o Código de Defesa do Consumidor e a jurisprudência dos tribunais, é abusiva a recusa de tratamento que comprometa a vida ou a saúde do paciente, principalmente em doenças graves e progressivas como a DMD.

Tribunais de todo o país já vêm reconhecendo esse direito e determinando o fornecimento imediato do medicamento sob pena de multa diária.

O processo judicial demora?

Como toda ação judicial no Brasil, o processo pode levar tempo para ser julgado em definitivo. Contudo, em casos de saúde, é possível obter uma liminar (tutela de urgência) logo no início da ação. Essa liminar obriga o SUS ou o plano de saúde a fornecerem o medicamento imediatamente, mesmo antes da sentença final, garantindo que o paciente não fique desassistido durante o andamento do processo.

A liminar é uma medida muito utilizada em ações relacionadas a medicamentos de alto custo, e os tribunais geralmente a concedem quando há laudos médicos e risco comprovado de agravamento da doença.

Como fazer em caso de negativa?

Diante de uma negativa do SUS ou do plano de saúde para fornecer o Elevidys, o caminho mais eficaz é ingressar com uma ação judicial. É importante contar com o apoio de um advogado especialista em Direito à Saúde, que irá preparar toda a documentação necessária, incluindo:

  • Relatório médico detalhado;
  • Exames e laudos atualizados;
  • Prova da negativa do plano de saúde ou do SUS;
  • Documentação do paciente.

O advogado pode solicitar uma liminar para que o fornecimento do medicamento seja imediato, garantindo o tratamento antes mesmo da decisão final do juiz.

Uma liminar demora muito?

Em geral, não. As liminares em ações de saúde costumam ser analisadas com prioridade pelo Judiciário, e muitas vezes são concedidas em poucos dias, ou até em menos de 48 horas, dependendo da urgência do caso e da organização da documentação apresentada.

Para que isso ocorra, é fundamental apresentar um pedido bem fundamentado, com base médica e jurídica, demonstrando a urgência do tratamento e o risco à saúde do paciente em caso de espera.

Conclusão

O Elevidys representa um avanço revolucionário no tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne, oferecendo uma nova esperança para pacientes com essa doença grave e progressiva. Embora o custo seja altíssimo e o acesso ainda limitado, é possível obter o medicamento tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, por meio de ações judiciais.

Se você ou um familiar recebeu a indicação para o uso do Elevidys e enfrentou resistência de instituições públicas ou privadas, não deixe de buscar orientação jurídica especializada. Com o suporte adequado, é possível garantir o acesso ao tratamento e lutar por um direito fundamental: o direito à saúde.

!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: julho de 2025. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio

Advogado líder · TSA Advocacia

Evilasio Tenorio é advogado inscrito na OAB/PE 31.019, fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação. Atua de forma especializada em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência, com formação complementar em Planos de Saúde. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo, tratamentos oncológicos e demais procedimentos negados. Também atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. É coautor de livros jurídicos publicados pela Editora Foco, membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE e do Instituto Miguel Kfouri Neto. Atende clientes presencialmente em Recife/PE e em todo o Brasil pela internet.

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O TSA | Tenorio da Silva Advocacia é um escritório especializado em Direito da Saúde e Direito Médico, com sede em Recife e atendimento em todo o Brasil. Atua em ações contra planos de saúde e o SUS nos casos de negativa de cobertura, medicamentos de alto custo, cirurgia robótica, quimioterapia, home care, autismo e doenças raras.

O escritório é fundado e liderado pelo advogado Evilasio Tenorio, inscrito na OAB/PE sob o número 31.019. Possui LL.M. em Direito Médico e da Saúde pela Unicap, especializações pela FMP e pelo CBI of Miami, e é membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE, da AASP, da ABA e do Instituto Miguel Kfouri Neto (IKMN).

O atendimento inicial é realizado presencialmente, por videoconferência ou WhatsApp, sem necessidade de deslocamento. Pacientes em Pernambuco, no Nordeste e em todo o Brasil podem iniciar o processo de forma simples e rápida, com análise da sua situação e da documentação médica já na primeira conversa.

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