ARTIGO | DIREITO EM GERAL | LEITURA: 6 MINUTOS

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Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

Aposentados, pensionistas e militares reformados com cegueira total ou monocular têm direito à isenção do IR sobre os proventos, com base no art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988. A cegueira monocular, que é a perda total da visão em um único olho, está expressamente incluída no texto legal e garante o mesmo benefício que a cegueira bilateral.

Introdução

Aposentados, pensionistas e militares reformados com cegueira total ou monocular têm direito à isenção do IR sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. A cegueira está prevista no art. 6º, XIV da Lei 7.713/1988, com inclusão expressa da cegueira monocular, que é a perda total da visão em um único olho.

A cegueira monocular merece atenção especial porque foi historicamente um ponto de controvérsia. Durante anos, a Receita Federal e alguns órgãos pagadores resistiram ao reconhecimento da cegueira de um olho só como condição suficiente para a isenção, por entender que a pessoa ainda tinha visão funcional no outro olho. Esse entendimento foi superado pela inclusão expressa do termo monocular no texto legal e pela jurisprudência que se consolidou em favor do contribuinte.

Este artigo explica o que a lei prevê, o que caracteriza a cegueira para fins fiscais e o que o laudo oftalmológico deve conter.

Leia também: Lista completa das 16 doenças que garantem isenção de IRDoença controlada ou em remissão garante isenção de IR? e Como solicitar a isenção e recuperar o IR retido.

O que a lei considera cegueira para fins de isenção de IR?

A lei não define cegueira com critérios técnicos próprios. A prática administrativa e a jurisprudência utilizam como referência os critérios da Organização Mundial da Saúde, que define cegueira como acuidade visual inferior a 0,05 no melhor olho com a melhor correção óptica possível, ou campo visual inferior a 10 graus.

Para a cegueira monocular, o critério se aplica a um único olho: acuidade visual inferior a 0,05 no olho afetado, com o outro olho podendo ter visão normal ou funcional.

O laudo oftalmológico deve descrever a acuidade visual de cada olho, com e sem correção, e indicar o CID correspondente da série H54. A ausência dessa medição objetiva é uma das causas mais frequentes de indeferimento administrativo em pedidos baseados em cegueira.

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A cegueira monocular garante o mesmo benefício que a cegueira bilateral?

Sim. A lei não faz distinção entre cegueira total bilateral e cegueira monocular. As duas condições estão abrangidas pelo mesmo dispositivo legal e garantem o mesmo benefício: isenção total do IR sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão.

Essa equiparação foi objeto de controvérsia histórica, mas está hoje pacificada tanto no texto legal, que inclui expressamente o termo monocular, quanto na jurisprudência dos tribunais federais, que reconhece o direito independentemente de qual olho está afetado ou de qual é a causa da perda visual.

Qualquer grau de perda visual se enquadra?

Não. A lei prevê cegueira, não deficiência visual ou baixa visão. A perda parcial da acuidade visual, ainda que significativa, não se enquadra automaticamente no benefício se não atingir o grau de cegueira definido pelos critérios da OMS.

Portadores de baixa visão severa com acuidade entre 0,05 e 0,1 podem encontrar resistência administrativa. Nesses casos, o enquadramento pode ser buscado judicialmente com base na gravidade da perda funcional, mas não há reconhecimento automático no âmbito administrativo.

A cegueira causada por diabetes ou glaucoma está abrangida?

Sim. A lei não restringe a cegueira por etiologia. Independentemente da causa da perda visual, seja diabetes, glaucoma, degeneração macular, trauma ocular, retinopatia ou qualquer outra condição, o que define o enquadramento é o grau de perda visual atingido, e não a doença que o causou.

O laudo oftalmológico deve descrever a acuidade visual atual e a causa da perda, com o CID da condição de base e o CID H54 para a cegueira resultante.

O que o laudo oftalmológico precisa conter?

O laudo para pedido de isenção baseado em cegueira deve conter:

  1. Medição da acuidade visual de cada olho, com e sem correção óptica
  2. Avaliação do campo visual quando relevante
  3. Diagnóstico da condição de base que causou a perda visual, com CID correspondente
  4. CID H54 para a cegueira resultante
  5. Indicação expressa de cegueira monocular ou bilateral, conforme o caso
  6. Data do diagnóstico ou da constatação da perda visual
  7. Assinatura de oftalmologista

A medição objetiva da acuidade visual é o elemento mais importante. Laudos que descrevem apenas “perda de visão” ou “visão reduzida” sem quantificar a acuidade tendem a ser insuficientes para o enquadramento administrativo.

Como proceder para obter a isenção?

O procedimento é o mesmo aplicável às demais condições da lista. Para beneficiários do INSS, o pedido é feito pelo Meu INSS com o laudo oftalmológico e os documentos pessoais. Para servidores públicos aposentados, o pedido é dirigido ao órgão previdenciário correspondente.

A restituição dos valores retidos nos últimos cinco anos exige retificação das declarações de IR no e-CAC da Receita Federal. Quando o pedido administrativo é negado, o caminho é o ajuizamento de ação na Justiça Federal. O procedimento completo está no artigo sobre como solicitar a isenção e recuperar o IR retido.

Conclusão

A cegueira, inclusive monocular, garante isenção de IR sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. A inclusão expressa da cegueira monocular no texto legal afastou a controvérsia histórica sobre o tema e equiparou a perda visual em um único olho à cegueira bilateral para fins do benefício fiscal. O laudo oftalmológico com medição objetiva da acuidade visual e o CID H54 são os elementos centrais do pedido.

Para o entendimento completo do direito, acesse o guia completo sobre isenção de IR por doença grave.


Perguntas frequentes

Isenção de IR para cegueira, inclusive monocular: entenda o direito

Cegueira em um olho só dá direito à isenção de IR?

Sim. A Lei 7.713/1988 inclui expressamente a cegueira monocular entre as condições que garantem a isenção, equiparando-a à cegueira bilateral para fins do benefício fiscal.

Qual grau de perda visual caracteriza cegueira para fins de isenção?

Acuidade visual inferior a 0,05 no olho afetado, com a melhor correção óptica possível, seguindo os critérios da OMS. Campo visual inferior a 10 graus também é critério alternativo.

Baixa visão severa dá direito à isenção de IR?

Não automaticamente. A lei prevê cegueira, não deficiência visual. Perdas parciais de acuidade que não atingem o grau de cegueira tendem a não ser reconhecidas administrativamente, mas podem ser buscadas judicialmente.

A causa da cegueira interfere no direito à isenção?

Não. Seja por diabetes, glaucoma, trauma, degeneração macular ou qualquer outra causa, o que define o enquadramento é o grau de perda visual, não a etiologia.

O que o laudo oftalmológico precisa conter?

Medição da acuidade visual de cada olho com e sem correção, diagnóstico da condição de base com CID, CID H54 para a cegueira, indicação de cegueira monocular ou bilateral, data do diagnóstico e assinatura de oftalmologista.

A cegueira controlada com lentes ou cirurgia mantém o direito à isenção?

O critério é a acuidade visual com a melhor correção possível. Se mesmo com correção a acuidade for inferior a 0,05, o enquadramento se mantém.

É possível recuperar o IR retido antes de pedir a isenção?

Sim. É possível recuperar os valores dos últimos cinco anos contados da data do pedido, com atualização pela taxa Selic.

Glaucoma avançado com perda de campo visual significativa dá direito à isenção?

Depende do grau de perda. Se o campo visual estiver reduzido a menos de 10 graus ou a acuidade visual estiver abaixo de 0,05, o enquadramento como cegueira é possível. O laudo oftalmológico deve documentar esses parâmetros objetivamente.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

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