ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 5 MINUTOS

[title]

Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

Ozempic é um medicamento utilizado para tratar diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para perda de peso, mas não está disponível pelo SUS, levando alguns pacientes a buscar a via judicial para obtê-lo. Planos de saúde geralmente não cobrem medicamentos de uso domiciliar, como o Ozempic, a menos que estejam listados pela ANS ou sejam essenciais para a condição do paciente, com respaldo técnico e prescrição médica. Em casos de prescrição off-label ou negativa de fornecimento, é possível buscar auxílio jurídico para garantir o acesso ao medicamento, e decisões liminares podem ser concedidas rapidamente para assegurar o tratamento contínuo.

!Atenção: como a justiça tem lidado com medicamentos

Atualmente, a interpretação jurídica sobre o fornecimento de medicamentos de alto custo, tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, vem sendo influenciada por julgamentos recentes que redefiniram pontos relevantes sobre o tema.

Para quem depende do SUS

O STF fixou nos Temas 6 e 1234 que medicamentos fora das listas oficiais (RENAME, RESME, REMUME) não podem ser concedidos judicialmente como regra geral. A concessão excepcional continua possível, mas exige requisitos cumulativos: negativa administrativa prévia, comprovação de ilegalidade ou mora na análise pela Conitec, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS e, sempre que possível, consulta prévia ao NAT-Jus ou a um especialista para atestar a indispensabilidade do medicamento não padronizado. Além disso, o Tema 1234 definiu que ações com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos devem ser propostas na Justiça Federal, com a União no polo passivo, sendo a responsabilidade pelo custeio compartilhada entre os entes federados conforme o valor do tratamento.

Para quem tem plano de saúde

O STF definiu na ADI 7.265 que o rol da ANS é taxativo, mas com taxatividade mitigada. A cobertura de procedimentos e medicamentos fora do rol continua possível mediante cinco requisitos cumulativos: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou análise pendente pela ANS; inexistência de alternativa no rol; comprovação de eficácia por evidências científicas de alto nível; e registro na ANVISA.

Se você busca acesso a um medicamento de alto custo e teve seu pedido negado, consulte um advogado para avaliar qual o caminho mais adequado ao seu caso.

 

Introdução

O Ozempic é um medicamento utilizado principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para a perda de peso.

Devido ao seu custo elevado, muitos pacientes buscam alternativas para obtê-lo gratuitamente ou com desconto.

É possível obter o Ozempic pelo SUS?

Atualmente, o Ozempic não está incluído na lista de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que, em situações normais, o SUS não disponibiliza esse medicamento aos pacientes.

No entanto, alguns indivíduos têm recorrido à via judicial para obter o medicamento.

Em certos casos, os tribunais podem decidir a favor do paciente, reconhecendo que o Ozempic é o tratamento mais adequado para ele, e, assim, determinar que o SUS forneça o remédio.

É possível obter o Ozempic pelo plano de saúde?

Em regra, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamentos de uso domiciliar, como o Ozempic.

De acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o fornecimento de medicamentos para uso domiciliar não está entre as obrigações legais mínimas das operadoras de plano de saúde, exceto em casos específicos previstos em lei, como medicamentos antineoplásicos orais e correlacionados, medicação aplicada em home care e produtos listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como de fornecimento obrigatório.

💬

Precisa de orientacao juridica?

Tire suas duvidas com um advogado especializado e entenda seus direitos antes de qualquer decisao.

Os planos de saúde só devem cobrir o que está no rol da ANS?

O rol de procedimentos da ANS é exemplificativo e, se o plano oferece cobertura para determinada doença ou condição, deve também fornecer os medicamentos e tratamentos necessários para ela.

O rol da ANS serve como uma referência básica de cobertura, havendo possibilidade de inclusão de procedimentos não listados, desde que haja respaldo técnico-científico e recomendação médica.

Como afirma o Dr. Evilasio Tenorio, advogado especializado em Direito da Saúde e médico: “O rol da ANS não é taxativo, e sim exemplificativo. Se um paciente necessita de um medicamento ou tratamento que não está listado no rol, mas que é essencial para a sua condição de saúde e possui fundamentação médica adequada, o plano de saúde tem a obrigação de fornecer esse tratamento. A jurisprudência tem reconhecido a natureza exemplificativa do rol, garantindo que a cobertura vá além do que está listado, sempre que necessário para a saúde do paciente.

Se houver prescrição off-label, posso conseguir o remédio?

A prescrição off-label refere-se ao uso de um medicamento para uma finalidade não especificada em sua bula oficial.

No caso do Ozempic, embora seja indicado principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, ele tem sido prescrito off-label para perda de peso. Para que o plano de saúde cubra um medicamento prescrito off-label, é necessário que não haja outra alternativa com a mesma eficácia e que haja comprovação científica que sustente essa indicação.

Além disso, é fundamental que o médico forneça um relatório detalhado justificando a necessidade do uso off-label.

A negativa do fornecimento do medicamento pode ser considerada abusiva?

Sim, a negativa pode ser considerada abusiva, especialmente se houver prescrição médica justificando a necessidade do medicamento para o tratamento do paciente.

Os planos de saúde têm a obrigação de fornecer os tratamentos necessários para as condições cobertas, e a recusa sem justificativa plausível pode ser interpretada como uma prática abusiva.

Nesses casos, o paciente pode buscar auxílio jurídico para garantir seu direito ao tratamento.

O processo judicial demora?

Toda ação judicial no Brasil tem sua demora.

Porém, como se trata de um processo que envolve saúde, e o consumidor não pode ficar sem o tratamento enquanto o processo ocorre, a lei permite que seja concedida uma liminar (tutela de urgência) para que a pessoa possa utilizar o plano de saúde e continuar o tratamento, mesmo sem a finalização do processo.

Existem muitas decisões judiciais que concedem a liminar nesses casos, para que a pessoa não fique desamparada.

Como proceder em caso de negativa?

Em caso de negativa do plano de saúde ou do SUS em fornecer o Ozempic, o paciente deve:

  1. Solicitar a negativa por escrito: Peça ao plano de saúde ou ao SUS um documento formal detalhando os motivos da recusa.
  2. Reunir documentação médica: Obtenha relatórios médicos, exames e a prescrição detalhada que justifiquem a necessidade do medicamento.
  3. Buscar auxílio jurídico: Consulte um advogado especializado em Direito da Saúde para avaliar a possibilidade de ingressar com uma ação judicial visando obter uma liminar que garanta o fornecimento imediato do medicamento.

Uma liminar demora muito?

As decisões liminares em casos de saúde são tratadas com urgência e podem ser concedidas rapidamente, muitas vezes em até 48 horas, dependendo da localidade e da urgência do caso.

Isso permite que o paciente inicie ou continue o tratamento sem atrasos significativos.

Conclusão

É fundamental que os pacientes estejam bem informados sobre seus direitos e os procedimentos necessários para obter medicamentos essenciais como o Ozempic.

Em caso de negativas injustificadas, buscar auxílio jurídico de um advogado especialista em conseguir remédio caro (medicamento de alto custo) pode ser a chave para garantir o acesso ao tratamento adequado e preservar a saúde.

Fonte: JusBrasil

!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: novembro de 2024. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

Dúvidas sobre o seu caso? Fale com um especialista

Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

Continue lendo

Leia outros textos

INFORMATIVO TSA

Informação jurídica clara, direto no seu e-mail.

Receba mensalmente artigos, orientações e conteúdos relevantes preparados pelo TSA Advocacia.

Fale conosco

Onde nos encontrar e como falar com o escritório

Atendimento presencial em Recife, no bairro de Boa Viagem, e online para você, esteja onde estiver, no Brasil ou no exterior. A primeira conversa é sem compromisso.

Recife

Rua Dr. Raul Lafayette, 191, Sala 707
Boa Viagem, Recife/PE

Ver no mapa →

Nossas redes sociais

Aqui, nós advogamos para salvar vidas.