ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 6 MINUTOS

[title]

Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

O artigo aborda a possibilidade de obter o medicamento Guselcumabe, conhecido como Tremfya, pelo SUS ou plano de saúde, apesar de seu alto custo e de não estar incluído no rol da ANS. Destaca que, em caso de negativa de fornecimento, tanto o SUS quanto os planos de saúde podem ser acionados judicialmente, especialmente quando há prescrição médica fundamentada e falta de alternativas terapêuticas eficazes. Além disso, menciona que a prescrição off-label é legal, desde que haja comprovação científica e justificativa médica, e que liminares podem ser solicitadas para garantir o acesso rápido ao medicamento.

!Atenção: como a justiça tem lidado com medicamentos

Atualmente, a interpretação jurídica sobre o fornecimento de medicamentos de alto custo, tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, vem sendo influenciada por julgamentos recentes que redefiniram pontos relevantes sobre o tema.

Para quem depende do SUS

O STF fixou nos Temas 6 e 1234 que medicamentos fora das listas oficiais (RENAME, RESME, REMUME) não podem ser concedidos judicialmente como regra geral. A concessão excepcional continua possível, mas exige requisitos cumulativos: negativa administrativa prévia, comprovação de ilegalidade ou mora na análise pela Conitec, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS e, sempre que possível, consulta prévia ao NAT-Jus ou a um especialista para atestar a indispensabilidade do medicamento não padronizado. Além disso, o Tema 1234 definiu que ações com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos devem ser propostas na Justiça Federal, com a União no polo passivo, sendo a responsabilidade pelo custeio compartilhada entre os entes federados conforme o valor do tratamento.

Para quem tem plano de saúde

O STF definiu na ADI 7.265 que o rol da ANS é taxativo, mas com taxatividade mitigada. A cobertura de procedimentos e medicamentos fora do rol continua possível mediante cinco requisitos cumulativos: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou análise pendente pela ANS; inexistência de alternativa no rol; comprovação de eficácia por evidências científicas de alto nível; e registro na ANVISA.

Se você busca acesso a um medicamento de alto custo e teve seu pedido negado, consulte um advogado para avaliar qual o caminho mais adequado ao seu caso.

Introdução

Você sabia que é possível conseguir o medicamento Guselcumabe, conhecido comercialmente como Tremfya, pelo SUS ou plano de saúde?

Indicado para o tratamento de doenças autoimunes como psoríase em placas moderada a grave e artrite psoriásica, esse medicamento biológico representa um avanço importante na qualidade de vida dos pacientes.

No entanto, por ser de alto custo e não estar incluído no rol da ANS, muitos pacientes enfrentam dificuldades para acessá-lo.

Neste artigo, você vai entender como obter o Tremfya por meio do SUS ou plano de saúde, o que fazer em caso de negativa, e como a Justiça pode garantir seu direito à saúde.


Para que serve o Guselcumabe (Tremfya)?

O Guselcumabe é um medicamento biológico utilizado no tratamento de psoríase em placas de moderada a grave e também da artrite psoriásica ativa.

Ele age inibindo seletivamente a interleucina-23 (IL-23), uma citocina inflamatória envolvida nas respostas imunológicas anormais observadas em doenças autoimunes.

O Tremfya reduz as lesões na pele, melhora os sintomas articulares e proporciona alívio significativo aos pacientes.

Além disso, por ter um perfil de segurança favorável e eficácia sustentada, o medicamento é frequentemente indicado quando outros tratamentos convencionais não surtiram efeito, ou apresentaram efeitos adversos significativos.


É possível obter o Tremfya (Guselcumabe) pelo SUS?

Sim, é possível obter o Guselcumabe (Tremfya) pelo SUS, com a ajuda de um advogado especialista em ações contra o SUS.

O Sistema Único de Saúde tem obrigação de fornecer medicamentos de alto custo quando eles são essenciais para o tratamento de doenças graves, como a psoríase e a artrite psoriásica. No entanto, o processo pode ser burocrático e demorado, exigindo a apresentação de uma série de documentos.

Entre os documentos necessários, estão: relatório médico detalhado, exames atualizados, laudos que comprovem a falha de outros tratamentos, e a prescrição médica justificando o uso do Tremfya.

Como o medicamento não está incorporado ao SUS até a presente data, o paciente pode precisar entrar com uma ação judicial com pedido de liminar, buscando a autorização imediata para o fornecimento.


É possível obter o Tremfya (Guselcumabe) pelo plano de saúde?

Sim, os planos de saúde também são obrigados a cobrir o custo de medicamentos de alto custo, como o Guselcumabe (Tremfya), conforme estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Contudo, como o Tremfya não está incluído no rol da ANS até o momento, muitas operadoras se recusam a fornecer o tratamento.

Essa negativa, porém, pode ser considerada abusiva, especialmente quando há prescrição médica fundamentada e falta de alternativas terapêuticas igualmente eficazes.

Por isso, é essencial reunir toda a documentação médica necessária — relatórios, exames e laudos — e contar com o suporte de um advogado especialista em plano de saúde para acionar judicialmente o plano de saúde, se necessário.


Os planos de saúde só devem cobrir o que está no rol da ANS?

Essa é uma dúvida muito comum entre os pacientes, e a resposta é não.

O rol de procedimentos da ANS é exemplificativo, e não taxativo.

Isso significa que os planos de saúde devem fornecer tratamentos fora do rol, quando há justificativa médica e necessidade comprovada.

Segundo o Dr. Evilasio Tenorio, advogado especializado em Direito da Saúde e Médico:

“O rol da ANS não é taxativo, e sim exemplificativo. Se um paciente necessita de um medicamento ou tratamento que não está listado no rol, mas que é essencial para a sua condição de saúde e possui fundamentação médica adequada, o plano de saúde tem a obrigação de fornecer esse tratamento. A jurisprudência tem reconhecido a natureza exemplificativa do rol, garantindo que a cobertura vá além do que está listado, sempre que necessário para a saúde do paciente.”

Portanto, se o seu médico prescreveu o Tremfya como única ou melhor opção terapêutica, você tem direito à cobertura, mesmo que o medicamento não esteja no rol da ANS.


Se houver prescrição off-label, posso conseguir o remédio?

Sim, é possível.

A prescrição off-label ocorre quando um médico indica o uso de um medicamento para uma finalidade diferente da aprovada pela Anvisa.

Esse tipo de prescrição é legal, desde que haja comprovação científica da eficácia, ausência de alternativas terapêuticas viáveis e justificativa médica detalhada.

No caso do Tremfya, se houver recomendação médica para uso fora da bula, ainda assim o paciente pode buscar judicialmente o fornecimento, desde que os critérios acima sejam respeitados.


A negativa do fornecimento do medicamento pode ser considerada abusiva?

Sim, a negativa pode ser considerada abusiva, especialmente quando o medicamento é essencial ao tratamento do paciente e existe prescrição médica fundamentada.

Tanto o Código de Defesa do Consumidor quanto a jurisprudência dos tribunais brasileiros reconhecem a abusividade da recusa imotivada de cobertura de tratamento necessário à saúde.

Diversas decisões judiciais têm determinado que planos de saúde e o SUS forneçam medicamentos de alto custo como o Tremfya, garantindo o direito constitucional à saúde.


O processo judicial demora?

Toda ação judicial no Brasil leva algum tempo até sua conclusão. No entanto, nos casos que envolvem direito à saúde, é possível entrar com um pedido de liminar (tutela de urgência).

Essa liminar pode obrigar o SUS ou plano de saúde a fornecer o medicamento antes mesmo da sentença final.

Essa medida é comum em ações desse tipo, pois o paciente não pode ficar sem tratamento enquanto aguarda uma decisão definitiva.

Portanto, mesmo que o processo judicial tenha sua própria tramitação, a liminar pode garantir acesso rápido ao Tremfya.


Como fazer em caso de negativa?

Caso o SUS ou o plano de saúde negue o fornecimento do Tremfya, o ideal é buscar imediatamente um advogado especializado em Direito da Saúde.

Ele poderá analisar a documentação médica e ingressar com uma ação judicial com pedido de liminar.

Além disso, é essencial reunir:

  • Prescrição médica fundamentada;
  • Relatório médico com histórico do paciente e falhas terapêuticas anteriores;
  • Exames atualizados;
  • Comprovação da negativa por escrito (se possível).

Uma liminar demora muito?

As liminares em ações de saúde são tratadas com urgência pelo Judiciário.

Em muitos casos, o juiz pode concedê-la em 48 a 72 horas, dependendo da complexidade do caso e da documentação apresentada.

Esse tipo de decisão visa proteger o direito fundamental à vida e à saúde, impedindo que o paciente sofra prejuízos irreparáveis enquanto aguarda a decisão final do processo.


Conclusão

O acesso ao Tremfya (Guselcumabe), embora desafiador, é um direito garantido quando há indicação médica clara e necessidade terapêutica comprovada.

Tanto o SUS quanto os planos de saúde podem ser obrigados judicialmente a fornecer o medicamento, mesmo que ele não esteja no rol da ANS.

Estar bem informado e contar com o apoio de um advogado especializado faz toda a diferença para garantir seu tratamento.

A saúde é um direito de todos — e você pode lutar por ele.

💬

Precisa de orientacao juridica?

Tire suas duvidas com um advogado especializado e entenda seus direitos antes de qualquer decisao.

!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: março de 2025. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

Dúvidas sobre o seu caso? Fale com um especialista

Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

Continue lendo

Leia outros textos

INFORMATIVO TSA

Informação jurídica clara, direto no seu e-mail.

Receba mensalmente artigos, orientações e conteúdos relevantes preparados pelo TSA Advocacia.

Fale conosco

Onde nos encontrar e como falar com o escritório

Atendimento presencial em Recife, no bairro de Boa Viagem, e online para você, esteja onde estiver, no Brasil ou no exterior. A primeira conversa é sem compromisso.

Recife

Rua Dr. Raul Lafayette, 191, Sala 707
Boa Viagem, Recife/PE

Ver no mapa →

Nossas redes sociais

Aqui, nós advogamos para salvar vidas.