ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 5 MINUTOS

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Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

O laudo médico ou psicológico é a prova central que transforma uma perda em apostas em um caso judicial válido. Sem ele, o apostador não consegue demonstrar a ludopatia, e a ação de restituição perde o fundamento jurídico.

!Atenção: procure ajuda profissional antes de buscar reparação judicial

Antes de buscar na Justiça a devolução dos valores perdidos ou uma indenização, é importante que você procure um médico ou psicólogo para confirmar o diagnóstico de Ludopatia. O laudo que será emitido ajudará você a comprovar que as apostas estavam relacionadas a um transtorno compulsivo e que houve ligação entre a doença, a atuação da plataforma e os prejuízos sofridos. Sem o laudo ou um acompanhamento profissional, a ação judicial ficará mais frágil.

Introdução

O laudo de ludopatia é o documento que comprova, com base clínica, que o apostador sofre de transtorno do jogo compulsivo. Sem esse documento, a Justiça não tem como diferenciar uma perda comum em apostas de uma perda causada por doença, e sem essa diferença não existe fundamento para pedir a devolução do dinheiro.

Muita gente perde dinheiro em apostas online e imagina que a simples perda financeira já justifica entrar na Justiça. Não justifica. A lei brasileira só reconhece o direito à restituição quando existe diagnóstico clínico comprovado de ludopatia, condição classificada pela Organização Mundial da Saúde na CID-11 sob o código 6C50.

Este artigo explica por que o laudo é a peça central desse tipo de ação, o que acontece na prática quando ele não existe e quais dúvidas mais comuns cercam esse documento.

Leia também:

Por que o laudo é a prova central da ação contra a bet?

O laudo é a prova central porque o direito à restituição não nasce da perda financeira, nasce do diagnóstico. A Lei 14.790/2023, em seu art. 26, VI e §1º, proíbe expressamente que pessoas diagnosticadas com ludopatia participem de apostas e declara nulas de pleno direito as apostas realizadas nessa condição.

Sem laudo, não existe diagnóstico formalizado. Sem diagnóstico, não existe a proibição legal que sustenta a nulidade das apostas. E sem essa nulidade, o Judiciário trata o caso como uma perda comum, decorrente de um risco que o próprio apostador assumiu conscientemente ao jogar.

O documento clínico é, portanto, o elo entre o fato (a perda de dinheiro) e a norma (a proibição legal). Sem esse elo, a ação não tem como se sustentar.

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O que acontece se eu processar a bet sem o laudo?

Processar a bet sem laudo normalmente resulta em improcedência do pedido, porque falta a prova do elemento que justifica o tratamento jurídico diferenciado do apostador compulsivo. O juiz não pode presumir a doença, ela precisa estar documentada por profissional habilitado.

Isso não significa que qualquer laudo resolva o caso sozinho. O documento clínico costuma vir acompanhado de outras provas, como o extrato de depósitos e saques na plataforma e os extratos bancários do mesmo período. Mas o laudo é o ponto de partida obrigatório: sem ele, as demais provas perdem sentido jurídico, porque não há doença a comprovar.

O laudo precisa ser de psiquiatra? Um laudo psicológico serve?

O documento mais robusto para esse tipo de ação é o laudo psiquiátrico, mas o relatório psicológico pode funcionar como prova complementar. O padrão recomendado combina os dois: o laudo psiquiátrico como documento principal, com o histórico de acompanhamento psicológico reforçando o quadro clínico ao longo do tempo.

Registros de atendimento em CAPS, prontuários médicos e relatórios de acompanhamento terapêutico também compõem o conjunto de provas, desde que demonstrem, de forma consistente, que o transtorno estava instalado no período em que as apostas ocorreram.


Explicação em vídeo

Perdeu dinheiro em apostas? Entenda como recuperar

Neste vídeo, o advogado Evilasio Tenorio explica o que caracteriza a ludopatia, por que plataformas de aposta e bancos podem ser responsabilizados e o que reunir antes de buscar a devolução dos valores.

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O laudo precisa ter sido feito antes das apostas?

Não necessariamente.

Tribunais como o TJDFT já decidiram que a data do laudo não marca o início da doença, apenas o momento em que ela foi reconhecida clinicamente. Transtornos mentais têm natureza progressiva, e um laudo emitido depois das apostas ainda pode sustentar o pedido, desde que o histórico clínico demonstre que o quadro compulsivo já existia naquele período.

Isso não elimina a necessidade do laudo. Pelo contrário, reforça sua importância: mesmo diagnosticado tardiamente, é o documento clínico que vai amarrar o período das apostas ao transtorno já instalado.

Conclusão

O laudo de ludopatia não é um detalhe burocrático da ação contra a bet, é o fundamento sem o qual o caso simplesmente não existe juridicamente. A perda de dinheiro, por si só, não gera direito à restituição. O que gera esse direito é a combinação entre o diagnóstico clínico documentado e a prova da perda financeira durante o período em que o transtorno estava presente.

Antes de qualquer providência judicial, buscar avaliação com médico ou psicólogo é o primeiro passo, não uma formalidade posterior.

Se este artigo foi útil, leia também: quem pode emitir o laudo de ludopatia e o que ele deve conter.


01
A doença

O transtorno do jogo compulsivo e os documentos clínicos que sustentam o caso.

Artigo principal
O que é ludopatia: diagnóstico, sintomas e reconhecimento jurídico

O transtorno do jogo compulsivo explicado do ponto de vista clínico e do ponto de vista do direito.

Perguntas frequentes

Sem Laudo de Ludopatia, Não Há Ação Contra a Bet

O laudo de ludopatia é obrigatório para processar a bet?

Sim. O laudo é a prova do diagnóstico clínico de ludopatia, elemento que sustenta a nulidade das apostas prevista na Lei 14.790/2023. Sem ele, falta o fundamento jurídico para o pedido de restituição.

Posso entrar com ação só com o extrato de apostas, sem laudo?

Não é recomendável. O extrato prova a perda financeira, mas não prova a doença. Sem o laudo, o Judiciário trata a perda como risco assumido conscientemente pelo apostador, e não como consequência de um transtorno.

Qual profissional pode emitir o laudo de ludopatia?

Psiquiatras e psicólogos habilitados podem emitir laudos ou relatórios que atestem o diagnóstico. O padrão mais robusto combina laudo psiquiátrico como documento principal e acompanhamento psicológico como prova complementar.

O laudo precisa mencionar o código da CID-11?

É recomendável. A referência ao código 6C50 da CID-11, que classifica o transtorno do jogo compulsivo, reforça o valor probatório do documento perante o Judiciário.

Quem já perdeu dinheiro apostando, mas não tem diagnóstico, ainda tem chance de recuperar o valor?

Sem diagnóstico documentado, a chance é reduzida. O primeiro passo é buscar avaliação com médico ou psicólogo. Se o histórico clínico demonstrar que o transtorno já existia no período das apostas, o laudo pode ser obtido mesmo depois das perdas.

A ausência do laudo pode comprometer todo o processo?

Sim. Sem o laudo, falta o elemento que diferencia a ludopatia de uma perda comum em apostas, o que normalmente leva à improcedência do pedido por ausência de prova do fato constitutivo do direito.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

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