ARTIGO | DIREITO DA SAÚDE | LEITURA: 8 MINUTOS

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Evilasio Tenorio
OAB/PE 31.019 · Advogado especialista em Direito Médico e da Saúde. Co-autor de livros jurídicos.

Resumo do artigo

Perder o emprego ou se aposentar não significa necessariamente perder o plano de saúde, pois existem direitos específicos para manutenção do plano ou portabilidade especial de carências. A manutenção do plano, conforme a Lei 9.656/98, permite que o ex-empregado ou aposentado continue no mesmo plano, pagando integralmente a mensalidade, enquanto a portabilidade especial, prevista na RN 438/2018, permite a migração para outro plano sem perder as carências já cumpridas. Ambos os direitos têm prazos curtos para serem exercidos, sendo 30 dias para a manutenção e 60 dias para a portabilidade, e exigem que a decisão seja tomada logo após o desligamento.

Introdução

Perder o vínculo de emprego não significa, necessariamente, perder o plano de saúde. Quem é demitido sem justa causa ou se aposenta tem direitos específicos sobre o plano de saúde após demissão ou aposentadoria, e a maioria das pessoas desconhece que existem dois caminhos diferentes, com regras próprias.

O primeiro é o direito de manutenção do plano, previsto nos arts. 30 e 31 da Lei 9.656/98. O segundo é a portabilidade especial de carências, prevista na RN 438/2018. Este artigo explica cada um, os prazos e como escolher entre eles.

Quais são os direitos de quem é demitido ou se aposenta?

São dois direitos distintos, e confundi-los é o erro mais comum:

  1. Manutenção do plano: continuar no mesmo plano da empresa por um período, assumindo o pagamento integral da mensalidade.
  2. Portabilidade especial de carências: sair para outro plano, em qualquer operadora, levando consigo as carências já cumpridas.

Um não exclui o outro. Na prática, o período de manutenção costuma funcionar como uma janela de tempo para planejar a portabilidade com calma.

Direito de manutenção do plano

A Lei 9.656/98 garante a quem contribuía para o plano em razão do vínculo de emprego o direito de manter a mesma cobertura após a saída, desde que assuma o pagamento integral da mensalidade. As regras estão hoje regulamentadas pela Resolução Normativa 488/2022 da ANS, que substituiu a RN 279/2011.

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Demitido sem justa causa (art. 30)

O ex-empregado demitido ou exonerado sem justa causa que contribuía para o plano pode mantê-lo por um período correspondente a um terço do tempo em que contribuiu, com mínimo de 6 meses e máximo de 24 meses. Por exemplo, quem contribuiu por 36 meses pode permanecer por mais 12 meses após a saída.

Aposentado (art. 31)

O aposentado que contribuiu para o plano por dez anos ou mais tem direito de manutenção por prazo indeterminado. Se contribuiu por menos de dez anos, o direito é de um ano de manutenção para cada ano de contribuição. Em ambos os casos, assume o pagamento integral.

Condições e prazo para optar

O direito exige que o beneficiário tenha contribuído com parte da mensalidade durante o vínculo, e não apenas com coparticipação por uso. A manutenção estende-se ao grupo familiar inscrito durante o contrato de trabalho.

Há um prazo curto: a opção pela manutenção deve ser feita, em regra, em até 30 dias a contar da comunicação do empregador no momento da rescisão ou da aposentadoria. O direito se extingue quando o beneficiário assume novo emprego com acesso a plano coletivo ou quando o empregador cancela o plano dos empregados ativos.

O que o STJ decidiu sobre a manutenção do aposentado

O Superior Tribunal de Justiça fixou, em recurso repetitivo, o Tema 1034 (REsp 1.818.487/SP e outros), com a seguinte tese sobre a contagem do prazo do art. 31:

“Eventuais mudanças de operadora, de modelo de prestação de serviço, de forma de custeio e de valores de contribuição não implicam interrupção da contagem do prazo de 10 (dez) anos previsto no art. 31 da Lei n. 9.656/1998, devendo haver a soma dos períodos contributivos para fins de cálculo da manutenção proporcional ou indeterminada do trabalhador aposentado no plano coletivo empresarial.”

Na prática, isso significa que trocas de operadora ao longo da carreira não zeram a contagem. Os períodos de contribuição se somam para alcançar os dez anos que garantem a manutenção por prazo indeterminado. O STJ também definiu que ativos e inativos devem integrar um plano coletivo único, com as mesmas condições, cabendo ao inativo o custeio integral.

Portabilidade especial de carências

A alternativa à manutenção é a portabilidade especial, prevista no art. 8º da RN 438/2018. Em caso de extinção do vínculo, como demissão ou exoneração sem justa causa, aposentadoria, morte do titular ou perda da condição de dependente, o beneficiário pode migrar para outro plano levando as carências já cumpridas.

O prazo é de 60 dias a contar da ciência da extinção do vínculo. Nessa modalidade, não se aplicam os requisitos de vínculo ativo, de prazo de permanência e de compatibilidade por faixa de preço, que valem na portabilidade comum. É uma janela mais favorável, e quem a perde fica sujeito às regras gerais.

Manutenção ou portabilidade: qual escolher?

A escolha depende do objetivo:

  • Manutenção é melhor para quem quer continuar exatamente no mesmo plano e na mesma rede por um período, ainda que pagando o valor integral.
  • Portabilidade especial é melhor para quem quer ou precisa trocar de plano, em busca de mensalidade menor, sem recomeçar as carências.

As duas decisões têm prazo curto e correm em paralelo ao desligamento. Por isso, o ideal é avaliar as opções antes que os prazos se esgotem.

Prazos que não podem ser perdidos

  • 30 dias para optar pela manutenção, a contar da comunicação do empregador.
  • 60 dias para a portabilidade especial, a contar da ciência da extinção do vínculo.
  • Não assumir novo emprego com plano coletivo sem antes decidir, porque isso extingue o direito de manutenção.

Conclusão

Demissão sem justa causa e aposentadoria não significam perder o plano de saúde. Existem dois direitos distintos: manter o plano atual por um período, pagando o valor integral, ou migrar para outro plano por portabilidade especial, levando as carências.

O ponto crítico são os prazos curtos, de 30 e de 60 dias. A decisão precisa ser tomada logo após o desligamento, com análise do caso concreto.

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Bloco 4

Manutenção após demissão, aposentadoria, portabilidade e migração

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Perguntas frequentes

Fui demitido sem justa causa. Por quanto tempo posso manter o plano?

Por um terço do tempo em que contribuiu, com mínimo de 6 meses e máximo de 24 meses, desde que tenha contribuído com parte da mensalidade durante o vínculo e assuma o pagamento integral.

Aposentei. Posso ficar no plano para sempre?

Quem contribuiu por dez anos ou mais tem direito à manutenção por prazo indeterminado. Com menos de dez anos, o direito é de um ano para cada ano de contribuição, sempre com pagamento integral.

Troquei de operadora ao longo dos anos. Isso zera meus dez anos?

Não. Segundo o STJ, no Tema 1034, mudanças de operadora, modelo ou custeio não interrompem a contagem. Os períodos de contribuição se somam

Posso fazer portabilidade depois de demitido sem cumprir carência?

Sim. A portabilidade especial permite migrar levando as carências cumpridas, no prazo de 60 dias da ciência da extinção do vínculo, sem os requisitos de permanência e de compatibilidade de preço.

!Vigência das informações

O conteúdo deste artigo reflete a situação jurídica vigente na data de sua publicação original: junho de 2026. Alterações legislativas, normativas ou jurisprudenciais posteriores podem impactar as informações aqui apresentadas.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional e não substitui a análise jurídica individualizada. A leitura do artigo não configura consultoria jurídica nem estabelece relação advogado-cliente. Cada caso possui particularidades próprias que exigem uma análise individualizada a ser realizada por advogado de sua confiança.

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Evilasio Tenorio, advogado especialista em Direito da Saúde e Direito Médico

Evilasio Tenorio

Advogado líder · OAB/PE 31.019 · LL.M. em Direito Médico e da Saúde (UNICAP)

Fundador do TSA | Tenorio da Silva Advocacia, com mais de 15 anos de atuação em Direito da Saúde, Direito Médico, Direito Civil e Direitos da Pessoa com Deficiência. Representa pacientes em ações contra planos de saúde e contra o SUS para acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias, exames, home care, terapias para autismo e tratamentos oncológicos, e atua na defesa de médicos, clínicas e profissionais da saúde. Coautor de livros jurídicos pela Editora Foco e membro da Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE.

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